Dignidade é uma qualidade íntima que inspira limite, respeito, consideração e estima. É a consciência do autovalor, da prudência e do próprio apreço; modo de alguém que se conduz levando em conta seu reino interior; sentimento de respeito que se tem por si mesmo. Etimologicamente, dignidade provém do latim "dignitas, atis", quer dizer, merecimento, valor, nobreza.

Assim como o leão apaixonado, quantos homens existem na sociedade que se comportam no amor da mesma forma, "sem garras e sem dentes...", isto é, renunciando à autodignidade ... Ficam com a intimidade estilhaçada, não moram mais em si mesmos.

Quando permitimos que nos "cortem as garras e lixem os dentes", destruímos nossa "fortaleza interna" e cometemos um erro extremamente grave: entregamos o controle de nossa vida à outra criatura. Ao abdicarmos do elemento mais vital do amor - a dignidade pessoal -, perdemos o comando do próprio mundo afetuoso. Aliás, quando não somos fiéis a nós mesmos, o relacionamento afetivo, em vez de nos fortalecer, fragiliza.

Nos envolvimentos amorosos, qualquer que seja o tipo de amor, enfrentamos problemas complexos que nos fazem sentir fracos e inseguros, incapazes de agir. Às vezes ficamos limitados como se fôssemos crianças e nos recolhemos na condição de vítimas, cerceando assim nossa possibilidade de amadurecer emocionalmente. São as nossas "fragilidades", os pontos vulneráveis de nossa intimidade. De fato, eles são a porta de entrada para tudo que nos atinge ou fere nossa imagem idealizada. Por exemplo: se não soubermos lidar com a crítica, nós a veremos somente como algo negativo. Mas, se formos criticados e mantivermos a tranqüilidade, tentando analisar a ocorrência com imparcialidade, como se estivéssemos vendo o cenário a distância, poderemos descobrir por que certos problemas se repetem em nossa vida. A partir disso, encontraremos a solução, pois fomos em busca da causa, não ficando presos aos efeitos.

Em muitas ocasiões, perdemos nosso valor como pessoa, dissimulamos a verdade e afirmamos ser verdadeiro aquilo que é falso, por possuirmos a enganosa convicção de que temos que nos anular para sermos um excelente objeto de amor.

Nossa alegria de viver se fundamenta em grande parte no senso de dignidade. Se sentirmos um vazio existencial e uma aura de insatisfação invadindo nossa vida, tal fato não deverá ser motivo de espanto ou indignação, pois nós mesmos permitimos que isso acontecesse. Colocamos em plano secundário nosso poder pessoal - a dignidade - e nos transformamos numa pessoa inconsistente, num "nada", em conseqüência - pior de tudo - de nossa auto desvalorização.

Continua...

1 comentários:

Du disse...

Nossa Cacau...fabuloso isso!!! Por tantas vezes deixei minha dignidade de lado em pról de outra pessoa e isso me fez tão mal! Se eu tivesse tido a oportunidade de ler um texto assim antes de fazer as bobagens que fiz, talvez não tivesse sofrido tanto!
Obrigada!

Beijão