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A muito tempo venho pedindo a Adriana para publicar os Comentários do em forma de Post. Acredito que aprendemos muito mais com os debates e as duvidas exposta pelos colegas, como se o questionamento do amigo nos abrisse um novo aspecto do texto, proporcionando um conteúdo novo as nossas vidas. Sem contar que pode, para muitos, passar despercebido um conteúdo precioso por estar nos bastidores das postagens.

Essa Postagem de hoje é como idealizávamos, espero ser a primeira de muitos Post neste mesmo aspecto, claro que para isso e indispensável à participação de todos.

Muito obriga meninas por esse presente maravilhoso, saúde, paz e muita harmonia na vida de todos, fiquem com Deus.

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Comentando AS MESAS GIRANTES

Rô disse...

Quanto a sua matéria de hoje, eu por algumas vezes quando estava no colégio participei. Por aqui chamávamos de brincadeira do copo, é mais ou menos igual a descrição.Quando certa vez a mãe de uma de minhas amigas que era Espírita nos proibiu de fazer tal coisa, disse que era muito sério para que nos continuássemos com aquilo. Será que se trata do mesmo assunto?Querida mil beijinhos e fique na paz do Senhor!


Adriana disse...

Oi Rô!Acredito que vc tenha se confundido um pouco. Entendi o seu raciocínio comparando o fenômeno das ‘mesas girantes’ com a famosa ‘brincadeira do copo’. Talvez, de fato, ambos utilizem o mesmo princípio, já que contam com o concurso dos espíritos, mas são casos completamente diferentes.

As ‘Mesas Girantes’ eram ocorrências comuns em uma época onde estavam começando a surgir as comunicações com os espíritos, que na verdade ocorreram sempre na história da humanidade, como a Carol está mostrando muito bem aqui, mas nesse caso, eram comunicações sérias, que chamavam a atenção da sociedade, tanto que o pedagogo Hippolyte Léon Denizard Rivail (que conhecemos por Allan Kardec) interessou-se pelo acontecimento, já que estudava há muitos anos os fenômenos do Magnetismo Animal (descoberto por Franz Mesmer), como forma de observação e pesquisa, desde que o próprio já encontrava-se com a ‘divina’ missão de ser o Codificador da Doutrina dos Espíritos. Pode-se, pois, dizer que as mesas girantes representam o ponto de partida da Doutrina Espírita.

Hoje em dia achamos comuns as manifestações como as de escrita (psicografia), tão famosas através de Chico Xavier. Na época de Kardec, as coisas não começaram assim. Não que os espíritos não tivessem capacidade, mas sim porque os homens talvez não estivessem preparados ainda. Por isso as coisas foram evoluindo aos poucos. Tanto que hoje não vemos mais acontecerem as ocorrências das mesas. Bom, para que os fenômenos das mesas girantes ocorressem, era necessária a presença de um ou mais médiuns no ambiente, já que os espíritos sempre precisam do concurso dos encarnados.

Quanto a ‘brincadeira do copo’, não pode nunca ser levada com seriedade, me desculpem aqueles que realizam. Entendo que o que move as pessoas, muitas vezes, é a curiosidade, pois muita gente se interessa mais pelos fenômenos mediúnicos do que pela essência dos ensinamentos do Espiritismo. Aliás, essa prática nunca foi recomendada dentro da Doutrina. Sabemos que muitas crianças, inclusive, acabam realizando, mais pela inocência, mas sem dúvida ela é prejudicial.

Devemos ter cuidado, pois essas comunicações ocorridas na 'brincadeira do copo' muitas vezes são reais, mas os espíritos que utilizam desse tipo de artifício para se comunicar, geralmente são os despreparados, os embusteiros, que jamais poderão passar mensagens sérias. Inclusive, muitos utilizam falsas identidades para se divertir com a credulidade alheia, como, por exemplo, afirmar que é algum parente falecido, ou que é o ‘satanás’...

Sabemos que, infelizmente, no plano espiritual, existe toda uma população de espíritos, alguns mais, outros menos evoluídos, já que cada um é aquilo que deseja ser, a morte não transforma ninguém em “santo”, já que significa apenas uma mudança de plano. Por isso, muitos espíritos encontram-se perdidos, perambulando no plano físico da Terra, em contato permanente conosco, sendo atraídos pelos nossos pensamentos, bons ou ruins. Assim, aqueles que são rebeldes, que ainda encontram-se ligados a pensamentos negativos, que se comprazem em fazer o mal, acabam ligando-se a esse tipo de coisa, como a ‘brincadeira do copo’, que tantas pessoas desavisadas, curiosas ou céticas ainda insistem em fazer... E os espíritos enganadores divertem-se com isso, com suas brincadeiras de mal gosto, às custas do medo e da inexperiência das pessoas...

O contato com o mundo espiritual é perfeitamente natural e normal, mas, como tudo na vida, deve obedecer a certas normas de segurança. Aliás, os Espíritos não são nossos ‘escravos’, como muitos pensam, não vivem para nos servir. Pelo contrário, são pessoas como nós, mas que se encontram ‘do outro lado da vida’, no plano espiritual, nossa verdadeira morada, de onde todos viemos e para onde retornaremos um dia, podendo retornar ao plano físico da Terra, em outra oportunidade, se for preciso, de acordo com a lei da Reencarnação.

Recomendo a todos que se interessem por esse tema, estudar atentamente o “Livro dos Espíritos” e o "Livro dos Médiuns”, de Allan Kardec. Só através do estudo sério é que podemos compreender como ocorrem os fenômenos mediúnicos, suas causas e mecanismos. E veremos que trata-se de um coisa muito séria.

Desculpe-me, Rô, se o comentário pode parecer meio “duro”, mas não é nada com vc, sei que vc é séria, está lendo, estudando, e respeita o Espiritismo, mas, sempre que faço algum comentário, penso naqueles que poderão ler e, de alguma forma, se beneficiar com as informações passadas na resposta. Acho que muitas pessoas têm preconceito em relação ao Espiritismo ou porque não conhecem ou porque o Espiritismo não lhes foi apresentado da forma devida, por isso ocorrem tantas confusões e mal-entendidos...

Beijos, Rô e Carol!!

A história das irmãs Fox se divulgou rapidamente, e de todas as partes tiveram lugar manifestações do que se chamava então de telegrafia espiritual. Cansou-se logo desse procedimento tão incômodo, e os próprios batedores indicaram um novo modo de comunicação. Era necessário simplesmente se reunir ao redor de uma mesa, colocar as mãos em cima, e em se erguendo, enquanto se recitava o alfabeto, a mesa bateria um golpe a cada uma das letras que o Espírito queria dar. Esse procedimento, se bem que muito lento, produzia excelentes resultados, e se tinha, assim, as mesas girantes e falantes.

É preciso dizer que a mesa não se limitava a se elevar sobre um pé para responder às questões que se lhe colocavam; ela se agitava em todos os sentidos, girava sob os dedos dos experimentadores, algumas vezes se elevava no ar, sem que se pudesse ver a força que a mantinha assim suspensa. De outras vezes as respostas eram dadas por meio de pequenos golpes, que se ouviam no interior da madeira. Esses fatos estranhos chamaram a atenção geral e logo a moda das mesas girantes invadiu a América inteira.

A mesa ensinou um novo procedimento mais rápido. Sob suas indicações, se adaptou a uma prancheta triangular três pés munidos de rodinhas, e a um deles, se prendeu um lápis, colocou-se o aparelho sobre uma folha de papel, e o médium colocava as mãos sobre o centro dessa pequena mesa. Via-se então o lápis traçar letras, depois frases, e logo essa prancheta escrevia com rapidez e dava mensagens. Mais tarde ainda, se percebeu que a prancheta era de fato inútil, e que seria suficiente ao médium colocar sua mão com um lápis sobre o papel, e o Espírito a fazia agir automaticamente.

Ao lado das pessoas frívolas, que passavam seu tempo interrogando os Espíritos sobre seus problemas amorosos, ou sobre um objeto perdido, espíritos sérios, sábios, pensadores, atraídos pelo ruído que se fazia em torno desses fenômenos, resolveram estudá-los cientificamente, para colocar seus concidadãos em guarda contra aquilo que chamavam de uma folia contagiosa. Em 1856, o juiz Edmonds, jurisconsulto eminente que gozava de uma autoridade incontestável no Mundo Novo, publicou uma obra sobre as pesquisas que havia empreendido com a idéia de demonstrar a falsidade dos fenômenos espíritas; o resultado final foi diametralmente oposto e o juiz Edmonds reconheceu a realidade dessas surpreendentes manifestações. O professor Mapes que ensinava Química na Academia Nacional dos Estados Unidos, se entregou a uma investigação rigorosa que terminou, como a precedente, em uma constatação arrazoada, segundo a qual os fenômenos eram devidos à intervenção dos Espíritos. Mas o que produziu maior efeito, foi à conversão às novas idéias do célebre Robert Hare, professor da Universidade da Pensilvânia, que experimentou cientificamente o movimento das mesas e consignou suas pesquisas, em 1856, em um volume intitulado: Investigações experimentais da manifestação Espírita.

Desde então, a batalha entre os incrédulos e os crentes se engajou a fundo. Escreventes, sábios, oradores, homens da igreja, se lançaram na refrega, e para dar uma idéia do desenvolvimento tomado pela polêmica, é suficiente recordar que já em 1854, uma petição assinada por 15000 nomes de cidadãos, tinha sido apresentada ao Congresso sediado em Washington rogando nomear uma comissão encarregada de estudar o “moderno espiritualismo” (este o nome dado na América ao Espiritismo). Essa demanda foi repelida pela assembléia, mas o impulso tinha sido dado e viu-se surgir sociedades que fundaram jornais onde se continua a guerra contra os incrédulos. Em 1852, teve lugar em Cleveland o 1º Congresso “Espírita” (a palavra ainda não tinha sido inventada). Os Espíritas americanos enviaram à comitiva do Congresso médiuns da velha Europa. Tinham feito girar as mesas na França desde 1853. Em todas as classes da sociedade não se falava senão dessa novidade; Não se abordava quase nada sem a pergunta sacramental: “Bem! Você faz girar as mesas?” Depois, como tudo que é da moda, após um momento de graça, as mesas cessaram de ocupar a atenção, que se transferiu para outros assuntos. Essa mania de fazer girar as mesas teve todavia um resultado importante, que foi o de fazer as pessoas refletirem muito sobre a possibilidade das relações entre mortos e vivos.

Em 1854, se contava então mais de 3.000.000 de adeptos na América e uma dezena de milhares de médiuns. Os adeptos se tornaram igualmente numerosos na França, mas faltava uma explicação verdadeira, teórica e prática, do estranho fenômeno. É nesse momento que Allan Kardec que se interessava havia trinta anos pelos fenômenos ditos do magnetismo animal, do hipnotismo e do sonambulismo, e que não via nos novos fenômenos senão um ‘conto para dormir em pé’ assistiu a várias sessões espíritas, a fim de estudar de perto o fundamento dessas aparições. Longe de ser um entusiasta dessas manifestações, e absorvido por suas outras ocupações, estava a ponto de os abandonar quando lhe remeteram cinqüenta cadernos de comunicações diversas recebidas durante cinco anos e lhe pediram que as sintetizasse : assim nasceu o Livro dos Espíritos.André Moreil escreveu que, estudando pelo método positivista e codificando o Espiritismo, « Allan Kardec o salvou do perigo de ser uma simples fantasia, um divertimento de salão. »

É bom anotar:

  • As mesas eram movidas por uma força inteligente.
  • Essa inteligência se designava a si mesma sob o nome de « Espírito ».
  • A moda das « Mesas Dançantes » teve por efeito fazer numerosas pessoas refletirem e desenvolver consideravelmente a nova idéia.
  • O próprio Allan Kardec era, no início, muito cético face aos fenômenos Espíritas.

Fonte: Centre Spirite Lyonnais Allan Kardec


Este é um fenômeno de obsessão que chamou a atenção sobre as manifestações dos Espíritos, na América, no século XIX. Golpes, dos quais ninguém pode adivinhar a causa, se fizeram ouvir pela primeira vez em 1846 na casa de alguém denominado Veckmann, habitante de uma pequena vila chamada Hydesville no estado de New-York. Tudo foi feito para descobrir o autor desses ruídos misteriosos, mas nada se conseguiu. Seis meses mais tarde, em 1847, essa família vendeu a casa que foi então habitada por um membro da igreja episcopal metodista: Sr. John Fox e sua família, composta de sua mulher e de suas filhas, Margaret então com 14 anos e Kate, de 11 anos. A família Fox era composta de seis crianças mas apenas Margaret e Kate Vivian então com seus pais.
Durante três meses eles ficaram tranqüilos, depois os golpes recomeçaram num alto grau. Primeiro vieram ruídos mais rápidos, como se algo caísse sobre o soalho de um dos quartos de dormir, e, a cada vez, uma vibração se fazia sentir sobre o soalho, que era percebida mesmo se estando deitado. O solo vibrava tão forte que as camas tremiam e se sentia essa vibração tendo início sobre o soalho. Os golpes se faziam ouvir sem parar, não havendo mais meio de se dormir na casa.
Em 31 de Março de 1848, a senhora Fox e suas filhas, não tendo podido dormir durante a noite precedente, e exaustas de fadiga, se deitaram cedo, no mesmo quarto, esperando assim escapar às manifestações que se produziam ordinariamente no meio da noite. O Sr. Fox estava então ausente. Logo os golpes começaram, e as duas jovens meninas, acordadas com a algazarra, começaram a imitar fazendo batidas com seus dedos. Para seu grande espanto os golpes responderam a cada batida, então a mais jovem das meninas, Kate, querendo verificar o fato surpreendente; deu uma batida, ouviram um golpe, dois, três, etc., e sempre o ser ou agente invisível devolvia o mesmo número de golpes. Sua irmã disse brincando: “Agora faça como eu, conte um, dois, três, quatro, etc.,” batendo com suas mãos, de cada vez, o número indicado. Os golpes se seguiram com a mesma precisão, mas esse sinal de inteligência alarmou a mais jovem, e ela logo cessou a experiência.
A Sra. Fox disse então: “Conte até dez.” O agente bateu dez vezes. A mãe colocou uma série de perguntas e as respostas, dadas por cifra, mostraram um grande conhecimento de seus próprios assuntos que ela mesma não recordava; porque os golpes insistiam sobre o fato de que ela tinha sete crianças enquanto que ela protestava não ter posto no mundo senão seis, até que um sétimo, morto precocemente, lhe viesse à memória. A esta questão: “Você que bate é um homem?” nenhuma resposta vinha; mas àquela “Você é um Espírito?” era respondida por golpes rápidos e nítidos. Chamou-se uma vizinha, madame Redfield; seu divertimento mudou em admiração e depois em terror à medida que ouvia, ela mesmo, as respostas corretas à questões íntimas.
A Madame Fox disse então ao seu interlocutor invisível: “Se nós fizermos vir os vizinhos, os golpes continuarão a responder?” Um golpe se fez ouvir em sinal de afirmação. Os vizinhos chamados não demoraram a vir, contando descobrir o batedor invisível por todos os meios de busca possíveis; mas a exatidão de uma multidão de detalhes dados assim por golpes, em resposta às questões endereçadas ao ser invisível, sobre os assuntos particulares de cada um, convenceram os mais incrédulos. Os rumores dessas coisas se propagaram ao longe, e logo chegaram de todos os lados padres, juízes, médicos e uma multidão de cidadãos.
Os vizinhos acorreram em multidões enquanto que se expandiam os rumores a propósito dessa maravilha; as duas crianças foram levadas por um deles enquanto a Sra. Fox ia passar as noites em casa da Sra. Redfield. Em sua ausência, o fenômeno se produzia exatamente como antes, o que, de uma vez por todas, reduziu ao silêncio todas as teorias de quebra dos artelhos e de joelhos deslocados que as pessoas perfeitamente ignorantes dos fatos reais freqüentemente colocaram. Todos os meios de pesquisa foram praticados para descobrir o batedor invisível, mas a averiguação da família, e de toda a vizinhança, foi inútil. Não se pode descobrir a causa natural dessas manifestações singulares.
As experiências se seguiram, numerosas e precisas. Na manhã seguinte, a casa estava cheia a crepitar, mais de trezentas pessoas estavam presentes nesse momento. Os curiosos, atraídos por esses fenômenos novos, não se contentavam mais em perguntas e respostas. Um deles, chamado Isaac Post, teve a idéia de recitar em alta voz as letras do alfabeto, rogando ao Espírito a gentileza de bater um golpe sobre aquelas que compusessem as palavras que ele queria fazer compreender. Nesse dia, a telegrafia espiritual havia sido descoberta: esse procedimento é aquele que veremos aplicar às mesas girantes.
Tal foi a primeira conversação que teve lugar nos tempos modernos e que se haja constatado, entre os seres de outro mundo e deste aqui. De certa maneira, a Sra. Fox conseguiu saber que o Espírito que lhe respondia, era aquele de um homem que tinha sido assassinado na casa que habitava, vários anos antes, que se chamava Charles B. Rosma, que era mascate e tinha trinta e um anos, enquanto a pessoa com a qual morava o molestou para pegar seu dinheiro e o enterrou na adega. Ossada humana foi efetivamente encontrada mais tarde.
Eis em sua simplicidade, o início do fenômeno que viria revolucionar o mundo inteiro. Negado pelos sábios oficiais, ridicularizado pela imprensa dos dois mundos, colocado no ‘index’ pelas religiões receosas e ciumentas, suspeito na justiça, explorado pelos charlatões sem vergonha, o Espiritismo deveria entretanto fazer seu caminho e conquistar aderentes, cujas cifras se elevam a milhões, porque possui a força mais possante de todas: a verdade.
O espírito engaja as jovens a divulgar suas manifestações, com o que convencerá os incrédulos de sua existência. A família Fox se fixa em Rochester e, seguindo os conselhos de seu amigo do espaço, as jovens missionárias não hesitam em desafiar o fanatismo protestante propondo se submeterem ao mais rigoroso controle.
Acusados de impostura e submetidos pelos ministros de sua confissão a renunciar a essas práticas, o Sr. e a Sra. Fox, fizeram da propagação do conhecimento desses fenômenos, que eles consideravam como uma grande e consoladora verdade, útil para todos, um dever supremo, e recusando a se submeter, foram cassados pela sua Igreja. Os adeptos que se reunissem em torno deles sofreriam a mesma reprovação.
Os conservadores fanáticos conduziram a população contra a família Fox. Os apóstolos da nova fé ofereceram, então, fazer a prova pública da realidade das manifestações diante da população reunida no Corynthia-Hall, o maior salão da vila. Começou-se por uma conferência onde foram expostos os progressos do fenômeno após os primeiros dias. Essa comunicação, acolhida por vaias, terminou contudo com a nomeação de uma comissão encarregada de examinar os fatos. Contra a expectativa geral, e contra sua convicção própria, a comissão foi forçada declarar que após o exame mais minucioso, não teria podido descobrir nenhum traço de fraude. Eles davam crédito de que esses golpes chegavam sobre os muros e as portas, de qualquer distância das mocinhas, ocasionando vibrações sensíveis. Malograram descobrir qualquer meio pelo qual se teria podido obtê-los.
Nomeou-se imediatamente uma segunda comissão que recorreu a procedimentos de investigação ainda mais rigorosos; fez-se revistar e mesmo despir as médiuns, por senhoras, bem entendido, sempre ouvindo os ‘rappings’ (golpes batidos na mesa), os móveis em movimento, as respostas a todas as questões, mesmo mentais; nada de ventriloqüismo, de subterfúgios, de possíveis dúvidas. O segundo relatório foi ainda mais favorável que o primeiro, sobre a perfeita boa fé dos espíritos e a realidade do incrível fenômeno. É impossível – disse a Sra. Hardinge – descrever a indignação que se manifestou a essa segunda decepção. O relatório final declara que “os ruídos estão entendidos e que seu exame completo tinha mostrado de maneira decisiva que eles não eram produzidos nem por um mecanismo nem por ventriloqüismo, ainda que, sobre a natureza do agente que os produziram, fossem incapazes de se pronunciar.”
Uma terceira comissão foi imediatamente escolhida entre os mais incrédulos e os mais ridicularizadores. O resultado dessas investigações, ainda mais ultrajantes que as duas outras para as pobres jovens meninas, provocaram ainda, mais do que nunca, a confusão de seus detratores. O comitê testemunhou em seguida que suas questões, algumas colocadas mentalmente, tinham recebido respostas corretas.
A multidão, exasperada, convencida da traição dos comissários e de sua conivência com as impostoras, tinha declarado que, se o relatório fosse favorável, linchariam as médiuns e seus advogados. As jovens meninas, malgrado seu terror, escoltadas por sua família e alguns amigos, se apresentaram na reunião e tomaram lugar sobre o estrado do grande salão, totalmente decididas a perecer, se preciso fosse, mártires de uma impopular mas indiscutível verdade.
A leitura do relatório foi feita por um membro da comissão que tinha jurado que descobriria o truque, mas que confessou que a causa dos golpes, malgrado as mais minuciosos pesquisas, lhe era desconhecida. No mesmo instante teve lugar um tumulto horrendo: a populaça queria linchar as jovens meninas, e elas o teriam sido sem a intervenção de um quaker, de nome Georges Villets, que as protegeu com seu corpo e reconduziu a multidão a sentimentos mais humanos.
Vê-se, pela narração, que o Espiritismo foi estudado severamente desde seu início. Não foram apenas os vizinhos, mais ou menos ignorantes, que constataram um fato inexplicável, mas comissões, regularmente nomeadas, que, após esquetes minuciosas, foram obrigadas a reconhecer a autenticidade absoluta do fenômeno. As tentativas para desmascarar as fraudes nos fenômenos tiveram lugar regularmente. Deve-se notar que este evento, que está no nascimento do Espiritismo, está sujeito a numerosas deformações e desinformações da parte dos oponentes do Espiritismo. Assim o jesuíta Lucien Roure, na sua obra “O Espiritismo maravilhoso” defende que ninguém tinha colocado a questão de saber se o fenômeno seria devido a fraudes e deixa mesmo insinuar que poderiam ter sido produzidos pelo joelho, pelos artelhos ou pela cavilha! Outros irão até dizer que a mais jovem das meninas era ventríloqua! Essas afirmativas gratuitas, sem fundamentos, não podem explicar os efeitos dos fenômenos constatados, e sua autenticidade confirmada por comissões hostis e fanáticas.

É bom anotar:

  • Os golpes de batidas tinham começado antes da chegada das irmãs Fox.
  • Nenhuma sugestão poderia explicar esse fenômeno uma vez que o Espiritismo não tinha ainda nascido.
  • Nenhuma manifestação inconsciente poderia também explicar este fenômeno : encontrou-se as ossadas do Espírito que se comunicou conforme suas indicações.
  • Os fenômenos foram desde o início submetidos à mais severa crítica e disso saíram autenticados.

Portal do Espírito




As práticas espíritas ficaram em uso durante vários séculos. Quase todos os filósofos alexandrinos, Filo, Amônio Saccas, Plotino, Porfírio, Arnobe, se diziam inspirados por gênios superiores; São Gregório, taumaturgo, recebeu os símbolos da fé do Espírito de São João. Santo Agostinho, o grande bispo de Hippone, em seu tratado De Curâ pro mortuis, fala das manifestações ocultas e acrescenta: « Por que não atribuir essas operações aos espíritos dos defuntos e não crer que a divina Providência fez um bom uso de tudo para instruir os homens, os consolar, os maravilhar ?


Na Idade Média, as perseguições da Igreja contra os « heréticos » sufocaram a comunicação com o mundo invisível mas a tradição se conserva: pode-se segui-la na história com os nomes de Paracelso, Cornélio Agripina, Swedenborg, Jacob Boehm, Martinez Pascalis, o conde de Saint-Germain, Saint-Martin, os possessos de Loudun, os medrosos de Cévennes e os crisíacos do cemitério Saint-Médard.

Nenhum testemunho da intervenção dos Espíritos na vida dos povos é comparável à história tocante da virgem de Domrémy. No início do século XIV, a França agonizava sob o pé de ferro dos Ingleses. Com a ajuda de uma jovem moça, de uma criança de dezoito anos, as potências invisíveis reanimaram um povo desmoralizado, revelando seu patriotismo extinto, inflamando a resistência e salvando a França da morte. Joana nunca agia sem consultar suas vozes, e, seja sobre os campos de batalha, seja ante seus juízes, sempre elas inspiraram suas palavras e seus atos.


De mais, se reencontra a comunicação com os Espíritos através dos feiticeiros ou dos xamãs entre os numerosos povos da América, da Ásia, da Oceania e da África.


-- XXX--


Não obstante, o Espiritismo não é uma descoberta moderna. Os fatos e os princípios, sob os quais ele repousa, se perdem na noite dos tempos, pois seus traços se acham nas crenças dos povos, em todas as religiões, na maior parte dos escritores sacros e profanos. Apenas que, incompletamente observados, os fatos foram freqüentemente interpretados conforme as idéias supersticiosas da ignorância e sem que dos mesmos tivessem sido deduzidas todas as conseqüências.


O que há de moderno é a explicação lógica dos fatos, o conhecimento mais completo da natureza dos Espíritos, de sua missão e de seu modo de agir; a revelação do nosso estado futuro e, enfim, a constituição dele num corpo científico e doutrinário e suas múltiplas aplicações. Os antigos conheciam o princípio; os modernos conhecem as minúcias. Na Antigüidade o estudo desses fenômenos era privilégio de certas classes, que só o revelavam aos iniciados nesses mistérios; na Idade Média os que com ele se ocupavam ostensivamente eram tidos como feiticeiros e queimados vivos; hoje, porém, já não há mais mistérios para ninguém, ninguém é queimado, tudo se faz à luz meridiana e todo o mundo está disposto a instruir-se e praticar. Porque em toda parte se encontram médiuns e cada um pode sê-lo mais ou menos.


A doutrina hoje ensinada pelos Espíritos nada tem de novo; seus fragmentos são encontrados na maior parte dos filósofos da Índia, do Egito e da Grécia, e se completam nos ensinos de Jesus Cristo. A que vem, pois, o Espiritismo ? Vem confirmar com novos testemunhos e demonstrar com os fatos, verdades desconhecidas ou mal compreendidas e restabelecer em seu verdadeiro sentido aquelas que foram mal interpretadas ou deliberadamente alteradas.


O que é certo é que nada de novo ensina o Espiritismo. Mas será pouco provar de modo patente e irrecusável a existência da alma, sua sobrevivência ao corpo, sua individualidade após a morte, sua imortalidade, e as penas e recompensas futuras?

(Allan Kardec – O que é o Espiritismo – Introdução)


É bom anotar:

  • As manifestações dos Espíritos sempre existiram, em países e épocas diferentes.
  • As manifestações dos Espíritos estão na base das religiões.


Portal do Espírito
Centre Spirite Lyonnais Allan Kardec




Entre os Romanos, as práticas de evocação estavam excessivamente disseminadas, e, depois da fundação do império, o povo depositava grande fé nos oráculos. As sibilas romanas, evocando os mortos, interrogavam os Espíritos e eram consultadas sem cessar pelos generais, e nenhum empreendimento mais ou menos importante era decido sem que se tivesse de tomar o conselho preliminar dessas sacerdotisas.



Na Gália, os Druidas se comunicavam com o mundo invisível, milhares de testemunhas o atestam. Evocavam-se os mortos nos recintos de pedra. As Druidesas transmitiam os oráculos. Vários autores relatam que Vercingétorix se entretinha com as almas dos heróis mortos pela pátria. Antes de sublevar a Gália contra César, ele se deteve na Ilha de Sena, antiga morada das Druidesas. Lá, um gênio lhe apareceu e lhe predisse sua derrota e seu martírio.


Entre os primeiros cristãos, nos Atos dos Apóstolos, encontram-se numerosas indicações quanto às comunicações com os espíritos dos mortos. São Paulo em sua primeira epístola aos Coríntios, descreve sob o nome de dons espirituais, todos os gêneros de mediunidade. Ele se declara diretamente instruído, pela Igreja de Jesus, na Verdade evangélica. Tributou-se, por vezes, essas inspirações aos maus Espíritos, à quem alguns chamavam de o Espírito de Píton: « Meus bons amigos, dizia João, não creiam em todos os espíritos, mas verifiquem se os espíritos são de Deus
Continua...

A mediunidade sempre existiu, porque o homem sempre teve um Espírito. Assim as comunicações com os Espíritos tiveram lugar em todas as épocas e em regiões diversas, os fatos mediúnicos são tão antigos quanto a aparição do homem e os fenômenos de obsessão têm sido observados desde sempre.


Na Índia, encontra-se nos Vedas, que é o mais antigo código religioso que se conhece e que foi escrito vários milhares de anos antes de Jesus Cristo, a crença na existência dos Espíritos. O grande legislador Manou se exprime assim: «Os Espíritos dos ancestrais, no estado invisível, acompanham certos Brahmas; sob uma forma aérea, eles os seguem e tomam lugar ao seu lado quando se sentam.» (Manou, Slocas, 187, 188, 189).

Um outro autor hindu declara: « Algum tempo antes de se despojarem de seu envelope mortal, as almas que não praticaram senão o bem adquirem a faculdade de conversar com as almas dos que os precederam. »

Na China, desde tempos imemoriais, já se entregavam à evocação dos espíritos dos ancestrais.

No Egito, os magos dos faraós realizavam prodígios que são contados na Bíblia; deixando de lado tudo aquilo que pode haver de legendário nessas narrações, é certo que evocavam os mortos. Desde Moisés, seu discípulo, foi proibido formalmente aos Hebreus se entregarem à essas práticas: « Que, entre vós, ninguém use do sortilégio e de encantamentos ou interrogue os mortos para aprender a verdade. » (Deuteronômio).

Entre os hebreus, malgrado essa proibição de Moisés, vemos Saul consultar a pitonisa de Endor e, por seu intermediário, comunicar-se com a sombra de Samuel. De mais, sempre houve pesquisadores que foram tentados por essas evocações misteriosas: eles comunicavam uns aos outros uma doutrina secreta, que denominavam Cabala.

Na Grécia, a crença nas evocações era geral. Os templos possuíam todos, mulheres, denominadas pitonisas, encarregadas de receber os oráculos evocando os deuses. Homero, na Odisséia, descreveu minuciosamente as cerimônias pelas quais Ulisses podia conversar com a sombra do adivinho Tirésias. Apolônio de Tianá, sábio filósofo pitagórico e taumaturgo de grande poder, possuía conhecimento muito extenso sobre as ciências ocultas; sua vida é repleta de fatos extraordinários; ele acreditava firmemente nos Espíritos e em suas possíveis comunicações com os vivos.

Continua...

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